Shipibo · Shipibo-Conibo

Jakon joi

jakon joi

Expressão shipibo-konibo que a artista Chonon Bensho dá como título ao seu texto e glosa como *«the good word»*, a boa palavra. A palavra não é boa no sentido moral de um conteúdo edificante: ela é boa como uma água é viva, porque *«bebe da mesma fonte aérea e vegetal»* que nutria os antigos sábios Onanya. Ao lado dela, Chonon Bensho desdobra o pensamento — *shina* — em *koshi shina* (pensamento forte), *ani shina* (grande), *jakon shina* (bom), *metsa shina* (belo), e a palavra — *joi* — em *koshi joi* (palavra forte): pensamento e palavra são matérias vivas que se mantêm boas ao permanecer conectado, não faculdades privadas que se produzem sozinho.

Ainbon Jakon Joi: The Good Word of an Indigenous Woman
Chonon Bensho & Pedro Favaron, Ainbon Jakon Joi: The Good Word of an Indigenous Woman, Titre du texte (les autrices glosent elles-mêmes jakon joi par « the good word »). Le corps décline les mêmes racines : « our thinking is good, jakon shina » et « Our word is strong, koshi joi ». Voix de l'intérieur niveau 2 (Chonon Bensho, shipibo-konibo ; Pedro Favaron, membre par alliance) ; texte anglais traduit de l'espagnol par Tirso Gonzales.. Terralingua, Langscape Magazine, vol. 9 (2020) · source

Jakon joi — a boa palavra — não é uma palavra cujo conteúdo seja edificante. Chonon Bensho, artista shipibo-konibo descendente dos sábios Onanya, dá esse título ao seu texto e a chama de boa como uma água é viva: a palavra é forte, escreve ela, «porque bebe da mesma fonte aérea e vegetal que nutriu os antigos Onanya». A qualidade da palavra não está no que ela afirma, mas no que a mantém saciada.

A palavra pressupõe um mundo onde pensar não é um ato solitário. O pensamento — shina — se desdobra ali como uma matéria que pode ser forte (koshi shina), grande (ani shina), boa (jakon shina), bela (metsa shina); a palavra — joi — da mesma forma (koshi joi, a palavra forte). Todas essas qualidades têm uma única condição: permanecer ligado — aos antepassados, ao mundo das plantas, aos vivos tidos como sujeitos. «Ninguém está na solidão», escreve Chonon Bensho.

A distinguir de nosso «pensamento positivo», que segue o caminho inverso: este é uma técnica pela qual, sozinho, otimizo um interior que é meu, e cujo bem-estar é o juiz. Jakon shina não é um produto que fabrico para me sentir melhor: um pensamento cortado de suas relações não é «negativo» a ser corrigido, é o pensamento de um fantasma, de um ser sem vínculos. A semelhança das palavras — «bom pensamento» — encobre dois gestos opostos: endireitar um íntimo privado, ou não soltar a raiz que sacia. A aproximar do akinananti, o trabalho que, também ele, só vale ao ligar.

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