Shipibo · Shipibo-Conibo

Akinananti

akinananti

Navio shipibo-konibo que a artista Chonon Bensho e seu marido Pedro Favaron glosam como: o trabalho feito em conjunto, com amor e alegria, que não busca fins egoístas, mas o bem de todos. Não é um método para produzir melhor em grupo: o amor e a alegria (o afeto) e o bem comum (o fim) não são acrescentados à tarefa, eles a constituem. A palavra pressupõe um mundo feito de sujeitos em relação — *«ninguém está na solidão»* — e não um estoque de objetos inertes a serem extraídos.

In the Shipibo language we use the word akinananti to describe work that is done together with love and joy, work that does not pursue selfish ends but seeks the benefit of all.
Chonon Bensho & Pedro Favaron, Ainbon Jakon Joi: The Good Word of an Indigenous Woman, Voix de l'intérieur niveau 2 (Chonon Bensho, shipibo-konibo ; Pedro Favaron, membre par alliance). Texte anglais trad. de l'espagnol par Tirso Gonzales.. Terralingua, Langscape Magazine, vol. 9 (2020) · source

Akinananti condensa em uma palavra o que o francês espalha em várias — “colaboração”, “ajuda mútua”, “voluntariado” — sem que nenhuma diga por inteiro. Chonon Bensho, artista shipibo-konibo de Santa Clara de Yarinacocha, o glosa com seu marido Pedro Favaron: o trabalho que se faz junto, com amor e alegria, que não busca o próprio proveito, mas o bem de todos.

A palavra não descreve uma organização eficiente do labor. Nomeia um trabalho cujo afeto — o amor, a alegria — e a finalidade — o bem comum — são constitutivos: tire-os, e já não é mais akinananti. Pressupõe, a montante, um mundo onde “todos os seres vivos vêm de uma fonte comum e participam de uma rede de relações entrelaçadas”. Aí, trabalhar não é extrair de coisas inertes, mas adensar laços entre sujeitos.

A distinguir da ajuda mútua em sentido biológico (Kropotkin, seus herdeiros): esta se justifica pela sobrevivência, como estratégia adotada pelo vivo. Akinananti não se apoia nem na sobrevivência nem no rendimento; pressupõe um cosmos de pessoas e faz da alegria sua forma. A semelhança vem depois da diferença. A aproximar antes do kené e do puhpowee: três palavras que supõem, cada uma à sua maneira, um vivo que age — não uma matéria que se sofre.

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