Kaitiakitanga
kaitiaki (gardien) + -tanga (suffixe d'abstraction)
Palavra māori: o encargo de guardião que vincula um ser àquilo que protege — o território, o curso d’água, a floresta, o povo. Segundo Anne Salmond, antropóloga da Nova Zelândia, o *kaitiaki*, o guardião, carrega obrigações muito particulares de cuidar daqueles que protege, obrigações fundadas no exercício do *mana*, o poder ancestral. A guarda, portanto, não é um mandato administrativo, mas uma relação de parentesco e autoridade herdada: guarda-se aquilo por que se responde perante os antepassados. Na concepção antiga, são seres outros que humanos — *taniwha*, tubarões, arraias — que exercem o *kaitiakitanga* sobre porções do oceano; o homem é guardado antes de ser guardião. O *kaitiakitanga* não é a «gestão» de um recurso nem a «tutela» utilitária de um capital natural: é uma responsabilidade de cuidado enraizada no vínculo, em que se deve contas àquilo que se protege.
In Māori, a kaitiaki, or guardian, has very particular obligations to take care of those they protect, based on the exercise of mana or ancestral power.
Anne Salmond, antropóloga da Nova Zelândia, oferece uma definição precisa de kaitiaki: « Em māori, um kaitiaki, ou guardião, tem obrigações muito específicas de cuidar daqueles que protege, baseadas no exercício do mana, o poder ancestral » — em māori, um kaitiaki, um guardião, tem deveres muito particulares de zelar pelos seus protegidos, fundamentados no exercício do mana, a força ancestral. A guarda não é um cargo delegável; decorre da posição que se ocupa na linhagem.
A palavra deriva de kaitiaki acrescida do sufixo que a transforma em princípio: o fato de alguém ser obrigado a guardar. O que se guarda — um rio, uma floresta, uma costa — não é uma propriedade, mas um parente. Responde-se por ele perante os ancestrais tanto quanto perante os vivos, e o mana do guardião mede-se pela qualidade do seu cuidado.
A concepção antiga inverte a ordem que julgamos natural. Salmond recorda que o kaitiakitanga foi « outrora exercido por taniwha não humanos, como certos tubarões e arraias, sobre trechos ancestrais do oceano »: eram, antes de tudo, seres não humanos que velavam por porções do mar. O ser humano era protegido antes de ser guardião; a versão recente, antropocêntrica, que o coloca como tutor dos rios, inverte essa relação. É aí que se estabelece o vínculo com o hau, o sopro que circula entre a terra, as águas e as pessoas.
O kaitiakitanga, portanto, não é a « gestão » de um recurso, nem a stewardship utilitária que administra um capital natural para otimizar seu rendimento. É um encargo de parentesco: guarda-se porque se pertence, e deve-se satisfações àquilo que se protege, não o contrário.