Chinese · Taoísmo

Bu-zheng

不爭 (bù zhēng)

A não-contenção: não lutar, não entrar em rivalidade por um lugar. Não é resignação nem afastamento, mas uma forma de agir que beneficia sem se opor. No capítulo VIII do *Tao Te King*, a água é sua figura: faz bem a todos os seres e *«não luta»*, ocupando o baixo que a multidão despreza. Porque não disputa nada com ninguém, o sábio não atrai nenhuma censura.

L'eau excelle à faire du bien aux êtres et ne lutte point.
Lao-Tseu, Tao Te King, Chapitre 8. Imprimerie royale, 1842 · trans. Stanislas Julien · source

O carácter 爭 (zhēng) representa duas mãos a puxar o mesmo objeto: disputar, brigar, rivalizar. 不爭 (bù zhēng) é subtrair esse gesto — não se trata de não fazer nada, mas de não fazer contra. A nuance separa o bu-zheng da mera passividade: a água age, ela «faz bem aos seres», escava vales e alcança o mar; apenas não arranca nada, não se opõe a nada, contorna o obstáculo em vez de o quebrar.

É por isso que Lao-Tsé toma a água como modelo da mais alta virtude (de): ela se mantém «nos lugares que a multidão detesta», no mais baixo, onde ninguém ambiciona estar — e dessa própria humildade extrai uma força que nada desgasta. O capítulo 22 resume isso na fórmula paradoxal: «Não luta, por isso não há ninguém no império que possa lutar contra ele.» A não-contenda não é uma fraqueza aceita; é um poder que dispensa adversário.

A distinguir do wu-wei, com o qual se confunde. O wu-wei visa a ação: agir sem forçar o curso das coisas. O bu-zheng visa a relação: agir sem entrar em rivalidade com o outro. Pode-se não forçar uma tarefa (wu-wei) e ao mesmo tempo invejar o lugar de alguém; o bu-zheng elimina justamente essa rivalidade. Não-agir ≠ não-lutar: o segundo é a ética do sábio entre os homens, enquanto o primeiro é a sua maneira de se harmonizar com o real.

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