Sanskrit · Vedanta

Brahman

ब्रह्मन् (brahman)

No Vedanta, *Brahman* designa a Realidade onipresente, absoluta e infinita, fundamento de tudo o que existe. Nem mero conceito nem personalidade divina entre outras: é a Existência em si, a Consciência de si, a Bem-aventurança (*Satchidānanda*), que sustenta o cosmos sem a ele se reduzir. *Brahman* é simultaneamente o transcendente incomunicável e o imanente que habita cada forma — o Uno do qual nada é excluído.

Brahman est l'Un en dehors de qui rien d'autre n'existe.
Sri Aurobindo, La Vie divine, Chapitre 5 — La Destinée de l'Individu. Feedbooks, 2012 (texte français, œuvre originale 1939)

O termo vem da raiz sânscrita bṛh-, « crescer, desabrochar, ser imenso ». Nos Brāhmaṇas, designa primeiro o poder sagrado contido no ritual; nos Upanishad, torna-se o fundo sem fundo de toda a realidade — aquilo a partir do qual tudo nasce, aquilo em que tudo subsiste, aquilo para onde tudo retorna.

A Taittirīya Upanishad formula-o assim: « a Verdade, o Conhecimento, o Infinito que é o Brahman». Nenhum desses três termos é um atributo entre outros: dizem uma única coisa sob três ângulos. A realidade brahmânica não é uma substância que se possa circunscrever; é o horizonte de todo conhecimento possível, o espaço em que a pergunta « o que existe realmente? » se dissolve.

Aurobindo, em A Vida Divina, sintetiza duas heranças frequentemente opostas: o Brahman silencioso de Shankara (sem qualidades, sem segundo, radicalmente para além do mundo) e o Brahman ativo que se manifesta no universo sob as formas de Eu (Ātman), Senhor (Īśvara) e Purusha. Essas duas faces não se contradizem: são o mesmo Um visto desde a transcendência e desde a imanência.

Brahman ≠ um deus pessoal entre outros. No politeísmo védico, os deuses (Indra, Agni, Varuṇa) são potências cósmicas; Brahman é aquilo em que essas potências mesmas se enraízam. A confusão entre Brahman e Brahmā (o deus criador, primeira pessoa da Trimūrti) é comum no Ocidente: são dois termos distintos. Brahman não cria a partir do exterior — é a matéria, o continente e o conteúdo de toda criação.

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