Latin · Filosofia Ocidental

Assentatio

assentatio

Adulação por concordância: o vício de quem aprova sempre, diz o que se quer ouvir e nunca tem opinião contrária à sua. Cícero, no *Lélio*, faz dela o inimigo capital da amizade — não porque minta sobre seu objeto, mas porque suprime a verdade, único solo onde duas almas podem se encontrar. O *assentator* não é, antes de tudo, um mentiroso: é um homem sem alma própria, que adota a sua *«ao menor sinal»*. Distinta do elogio exagerado (*adulatio*), a *assentatio* é mais sutil e difícil de desmascarar, pois se disfarça de concordância sincera.

il n'est rien de plus pernicieux en amitié que la flatterie, les manières doucereuses, la complaisance outrée.
Cicéron, Lélius, ou de l'Amitié, ch. XXV. Œuvres complètes (Le Clerc), Lefèvre, 1821 · trans. Gallon la Bastide · source

O latim assentatio vem de assentari, alinhar-se ao sentimento alheio, concordar com seu ponto de vista. A palavra não designa, em primeiro lugar, a mentira, mas a anuência: o adulador é aquele que diz sempre sim. Cícero o distingue cuidadosamente da adulatio, o elogio grosseiro; a assentatio é mais sutil, pois se apresenta como um acordo espontâneo: Cícero adverte contra «o adulador que se esconde e se disfarça», nem sempre fácil de desmascarar.

Seu perigo não está, antes de tudo, para o adulado, mas para o vínculo. A amizade verdadeira, para Cícero, assenta-se inteiramente na verdade: duas almas só se tornam uma quando nada se oculta entre elas. O assentator, que adere a cada sinal do outro, já não tem alma própria — e assim introduz a falsidade no cerne daquilo que só se sustenta pela verdade. Por isso, o remédio não é o desentendimento, mas a franqueza: o amigo que adverte, ainda que magoando, serve melhor do que aquele que desculpa.

Três coisas que devem ser mantidas separadas. A assentatio é o ato de adular; a vaidade (kenodoxia) é o gosto de ser adulado, o apetite pelo olhar que a alimenta — «ninguém dá ouvidos mais complacentes aos aduladores do que aquele que se adula a si mesmo». Elas se buscam mutuamente. Em oposição, a sinceridade chinesa (cheng 誠) não é uma virtude relacional, mas a coincidência de um ser com sua realidade, da qual a palavra despojada do sábio — «as palavras sinceras não são elegantes» — não passa de um sinal. Adular por anuência ≠ gostar de ser adulado ≠ coincidir com o verdadeiro.

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