Nawa
nawa
Navio shipibo-konibo que Chonon Bensho usa para o estrangeiro que permaneceu fora da rede de parentesco: não aquele que vem de longe geograficamente, mas aquele que não tem vínculo vivido com o grupo. Ela o aplica ao próprio marido, Pedro Favaron, antes do casamento — nascido em Lima, ele já havia passado anos vivendo com povos indígenas. Desde a união, ele não é mais um *nawa*: pertence a uma rede efetiva de relações, de origem comum, de vida compartilhada. A palavra designa uma posição reversível, não uma essência: pode-se deixar de ser *nawa*, pela aliança.
He no longer is a foreigner or a stranger, a nawa, as we say in the Shipibo language, but belongs to an effective network of relationships, of those who have a common origin and live together in the now, sharing efforts, sadness, laughter, and thoughts.
Chonon Bensho descreve seu marido Pedro Favaron, antes do casamento, como um nawa — um estrangeiro, alguém fora do círculo. Nascido na cidade de Lima, ele havia passado anos pesquisando e vivendo entre diferentes povos indígenas; não era, portanto, a distância geográfica que o tornava um nawa, mas a ausência de vínculo reconhecido pelos seus.
Desde o casamento, diz ela, ele já não o é mais: “não é mais um estrangeiro, um nawa, como se diz na língua shipibo, mas pertence agora a uma rede efetiva de relações, aquelas que têm uma origem comum e vivem juntas no presente, compartilhando os esforços, a tristeza, o riso e os pensamentos.” A palavra designa, assim, uma posição, não uma essência: pode-se sair dela, pela aliança que insere na parentela vivida.
A distinguir do mahua yoxin, o morto desvinculado: este não pode mais integrar a rede, sua ruptura é definitiva. O nawa, por sua vez, é um vivo que ainda pode nela entrar — é justamente o que mostra o caso de Pedro Favaron. A distinguir também do bárbaro grego, definido apenas pelo som de uma língua incompreensível: o nawa não é definido pela língua que fala, mas pela ausência de uma rede relacional vivida.